Estratégia e análise · novembro 2026
Cada ato, cada euro.
Um cirurgião em Portugal opera em vários hospitais, cada um com o seu sistema, as suas tabelas e o seu prazo. No fim do mês recebe extratos diferentes e confia que está tudo certo. O Sutura é o extrato único do cirurgião: regista o que operou, confere o que lhe pagaram e mostra onde o tempo dele rende mais.
01
A tese
O problema
O cirurgião não sabe se recebe tudo. Ninguém confere código a código, e a informação está repartida por 3 a 5 entidades pagadoras.
A solução
Registo rápido com as tabelas de cada pagador, conferência automática dos extratos e uma agenda que mede o valor de cada hora.
Porquê agora
A IA já lê um PDF ou uma fotografia de qualquer formato. Há dois anos isto exigia integrações com cada hospital.
Princípio de desenho: simplicidade operacional. Em dois cliques o cirurgião vê quanto tem por receber, o que tem um problema e o que fazer a seguir. Tudo o resto vive um nível abaixo.
02
O que já existe
Pesquisámos o mercado português e internacional. Há software para o hospital e apps de registo manual, mas não há nada do lado do cirurgião que trabalha em vários sítios, com as tabelas portuguesas e conferência automática.
Software do hospital (Glintt, F3M, SClínico/SONHO no SNS)
Registo clínico, faturação ao pagador e cálculo de honorários.
Serve a instituição. O médico vê só o que o hospital decide mostrar, num formato por hospital.
Scrubook (iOS)
Logbook cirúrgico com estado pago, parcial ou pendente e filtro por hospital.
Sem tabelas de códigos nem conferência automática do extrato. Tudo à mão.
DocTime / Ludi (EUA)
Registo de tempo e histórico de pagamentos do médico.
Comprado e controlado pelo hospital. Não cobre vários empregadores.
Surgical Partners e Doctor Wallet (Austrália)
Reconciliação diária de faturação com o banco.
Feito para consultórios, com a faturação australiana. Não existe em Portugal.
Excel, papel e o contabilista
É o que se usa hoje.
Ninguém confere código a código. O contabilista vê o que entrou, não o que devia ter entrado.
O espaço livre: uma ferramenta pessoal, independente dos hospitais, que fala a língua das tabelas portuguesas (Ordem dos Médicos, ADSE, seguradoras, SIGIC) e funciona sem pedir autorização a ninguém.
03
A burocracia, passo a passo
O circuito de uma cirurgia privada, da consulta ao dinheiro na conta. A vermelho, onde o dinheiro se perde.
Antes
- 1
Consulta e indicação cirúrgica
- 2
Proposta e orçamento com os códigos previstos
Primeiro sítio onde um código pode ficar esquecido.
- 3
Pedido de autorização prévia à seguradora ou ADSE
A seguradora pode cortar códigos ou atrasar dias.
- 4
Marcação do bloco: sala, ajudante, anestesista, instrumentista
Doentes autorizados ficam sem data e o dinheiro fica parado.
- 5
Consentimento informado e pré-operatório
Durante
- 1
Cirurgia
- 2
Relatório operatório
Sem relatório anexo, a seguradora devolve.
- 3
Registo de honorários: o cirurgião lança os códigos e a equipa no sistema do hospital
Ponto crítico: complementos (microscópio, navegação, instrumentação por nível) e o ajudante.
Depois
- 1
Hospital valida e fatura ao pagador (seguro, ADSE, particular, SIGIC)
- 2
Pagador aprova, corta ou devolve
Devoluções que ninguém reenvia acabam por prescrever.
- 3
Hospital recebe e emite o extrato mensal de honorários
Cada hospital tem o seu formato, as suas regras e o seu prazo.
- 4
Médico emite fatura-recibo (recibos verdes ou sociedade)
- 5
Pagamento, conferência com o banco, IRS e retenções
É aqui que hoje quase ninguém confere: só se vê o total.
Nota: os detalhes variam por hospital e pagador. Os pontos a confirmar estão nas perguntas do fim.
04
Onde se perde dinheiro
Códigos que não entram
Complementos e atos adicionais esquecidos no registo: microscópio, neuronavegação, instrumentação por nível.
Regra de atos múltiplos mal aplicada
Segundo ato pago a 0% em vez de 50%, ou complemento tratado como ato adicional.
Tabela desatualizada
Pagamento com o preço do K do ano anterior. Diferença pequena por cirurgia, grande no ano.
Ajudante esquecido
O cirurgião principal é pago e o honorário do ajudante (20%) não aparece em lado nenhum.
Rejeições que morrem
A seguradora devolve por falta de documento e ninguém reenvia a tempo.
Atrasos que ninguém persegue
Prazos acordados de 45 a 60 dias que passam a 90 ou mais. Na ADSE já se falou de 240.
Majorações não aplicadas
Bilateralidade, via minimamente invasiva sem código próprio, urgência.
Tempo mal aproveitado
Blocos reservados e vazios, lista de espera autorizada sem data, horas na estrada entre clínicas.
05
Fluxos do Sutura
Seis fluxos, todos visíveis neste mockup. Clique para ver o ecrã.
FLUXO 1
Registar em 30 segundos
No fim da cirurgia, no telemóvel: escolhe um procedimento habitual, os códigos entram sozinhos, indica o pagador. Vê logo quanto vai receber.
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FLUXO 2
Acompanhar sem pensar
Cada cirurgia percorre cinco estados, de realizada a paga. O Sutura avisa quando um prazo acordado passa.
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FLUXO 3
Conferir o extrato
O extrato chega por email, PDF ou fotografia. A IA lê as linhas, cruza por data, processo e código e explica cada diferença.
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FLUXO 4
Reclamar num clique
Gera o email para a faturação do hospital com a lista e os valores, e segue o caso até ser pago.
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FLUXO 5
Fechar o mês
Rendimento por fonte, retenções e um ficheiro para o contabilista. Sem Excel.
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FLUXO 6
Agenda que dá dinheiro
Um calendário com todos os hospitais, valor por hora de cada atividade, blocos vazios cruzados com a lista de espera autorizada e tempo de deslocação.
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O MOTOR DE CONFERÊNCIA
06
Integração com os sistemas
Hoje os códigos são lançados no sistema de cada hospital. Nos grupos privados são sistemas próprios ou de fornecedores como a Glintt; no SNS, o SClínico e o SONHO. Nenhum abre uma API ao médico. Por isso o Sutura não depende deles para começar.
Fase 1 · já
Registo próprio rápido, leitura de extratos em PDF ou fotografia e um endereço de email para reencaminhar. Funciona amanhã, em qualquer hospital.
Fase 2 · 3 a 6 meses
Importar exportações dos portais do médico, ligar o calendário (Google, Outlook) e, opcionalmente, o banco em modo só de leitura, via agregador licenciado (PSD2).
Fase 3 · parcerias
Extrato digital estruturado enviado pelos grupos hospitalares. Argumento para eles: menos reclamações e menos trabalho de back-office.
07
Segurança e RGPD
Dados de saúde são categoria especial no RGPD (artigo 9.º). A regra é guardar o mínimo:
- Doentes só por iniciais e n.º de processo, sem diagnóstico nem contactos
- Servidores na União Europeia, dados cifrados
- Autenticação forte e registo de acessos
- Banco opcional e só de leitura; recibos carregados pelo próprio é o caminho por defeito
- Acordo de tratamento de dados com o médico (responsável pelo tratamento)
- Nada é partilhado com hospitais ou seguradoras
08
Cores e confiança
Dinheiro e saúde pedem a mesma coisa: confiança. Os azuis, verdes e petróleos são as cores mais associadas a calma, competência e cuidado, e são as cores reais do bloco operatório. Por isso todas as paletas partem de referências médicas.
Uma cor de marca, o resto em cinzas frios
Ar clínico e limpo. A cor do cirurgião aparece só onde importa.
O vermelho é sagrado
Fica reservado a dinheiro em risco, em qualquer paleta, e vem sempre com ícone para quem é daltónico.
Números grandes em serifa
Lê-se como private banking, não como software de faturação.
Contraste AA em todas
As 10 paletas passam 4,5:1 em texto e têm versão escura.
Experimente aqui. A escolhida por defeito para o Dr. Vítor é o Índigo Neuro, inspirado nas imagens de tractografia.
09
Marca e domínio
Sutura
Fechar a ferida entre o que se operou e o que se recebeu. Palavra que qualquer cirurgião usa todos os dias, curta, igual em português, espanhol e italiano, e próxima do inglês (suture).
Assinatura: Cada ato, cada euro.
DOMÍNIOS (verificados a 7 nov 2026)
- sutura.healthdisponível
- usesutura.comdisponível
- valork.app (alternativa)disponível
- sutura.ptocupado
- sutura.appocupado
- sutura.io / sutura.coocupado
Recomendação: sutura.health como principal. Para Portugal, um .pt composto (por verificar).
10
Modelo de negócio
Subscrição mensal paga pelo cirurgião. O argumento é simples: basta recuperar uma divergência por trimestre para pagar o ano.
Essencial
29 € por mês
- Registo de cirurgias com códigos
- Conferência de extratos de 1 hospital
- Painel semana, mês e ano
Pro
59 € por mês
- Hospitais ilimitados
- Reclamações e seguimento
- Agenda e lista de espera
- Exportação para o contabilista
Equipa
39 € por lugar / mês
- Cirurgião, ajudantes e anestesista
- O ajudante vê os seus 20% automaticamente
- Faturação por sociedade
Crescimento viral natural
Cada cirurgia tem cirurgião, ajudante e anestesista. Quem usa convida a equipa.
Canais
Sociedades científicas (SPNC, Patologia da Coluna), congressos, contabilistas de médicos.
Primeiro nicho
Cirurgiões da coluna e neurocirurgiões: muitos códigos por cirurgia, muitos complementos, mais fugas.
Expansão
Espanha e Brasil, onde o problema é idêntico (no Brasil chamam-lhe glosa) e o mercado é muito maior.
Preços indicativos para validar nas entrevistas.
11
Próximos passos
- 1
Agora
Mockup com dados do Dr. Vítor (este).
- 2
Semanas 1 a 2
Debrief com o Dr. Vítor e mais 4 a 5 cirurgiões. Recolher 3 extratos reais, anonimizados, de hospitais diferentes.
- 3
Semanas 3 a 8
MVP real: conta, registo com tabelas, leitura de extratos com IA, conferência e reclamação. Piloto com o Dr. Vítor e a equipa dele.
- 4
Meses 3 a 6
Agenda ligada ao calendário, banco só de leitura, 20 pilotos pagos, domínio e marca registados.
12
Perguntas para o Dr. Vítor
Para validar o circuito real antes de construir o produto a sério.
- 1.Em cada hospital, onde lança hoje os códigos (que sistema, que ecrã) e quem o faz: o Dr. Vítor ou o secretariado?
- 2.Que documento recebe no fim do mês de cada sítio? Pode partilhar um extrato real, com os doentes tapados?
- 3.Já detetou algum pagamento errado? Como deu por ele e quanto tempo demorou a resolver?
- 4.Quantas horas por mês gasta com faturação, extratos e recibos? Quem o ajuda (contabilista, secretária)?
- 5.Que tabela usa para saber quanto vale cada código em cada seguradora?
- 6.Quando é ajudante de um colega, como confirma que recebeu?
- 7.O Garcia de Orta paga produção adicional (SIGIC) à parte do vencimento? Como a confirma?
- 8.Quem gere a agenda do bloco e a lista de espera em cada hospital? Partilharia o calendário?
- 9.Usaria isto no telemóvel no fim da cirurgia, ou só ao computador no fim do mês?
- 10.Quanto pagaria por mês se recuperasse, por exemplo, 3 000 € por ano? Recomendaria a colegas?
Fontes: perfis públicos do Dr. Vítor Moura Gonçalves (Lusíadas Saúde, SSCML); tabelas ADSE/IASFA e Ordem dos Médicos sobre K, ajudantes e atos múltiplos; notícias ECO, CNN Portugal e RTP sobre prazos de pagamento a privados; páginas de Scrubook, DocTime e Surgical Partners. Valores, códigos e doentes do mockup são fictícios.